terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação , veja como ele fez

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Mensagens mostram que CEO do portal enviava textos ao ex-banqueiro, atendia a pedidos de alteração e sugeria pautas de interesse do Master

Ao menos 14 textos passaram previamente pelo banqueiro e 11 foram alterados após pedidos dele. Os diálogos registram ainda sugestões de pauta e retirada de informações.
No mesmo período, o Banco Master mantinha contrato publicitário de R$ 20 milhões com o portal. Lilian Tahan nega influência comercial na cobertura

Segundo levantamento do portal, pelo menos 14 reportagens foram enviadas previamente a Vorcaro, e 11 sofreram alterações após solicitações dele. As conversas também registram duas matérias publicadas a pedido do ex-banqueiro.

A aproximação começou em maio de 2024, quando o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”.

Questionada pelo UOL, a CEO afirmou que consultar fontes sobre o contexto de uma reportagem é uma prática que adota com personalidades empresariais, políticas e do Judiciário. Ela também negou relação entre o contrato publicitário e a cobertura jornalística, citando reportagens que expuseram a situação de empresas ligadas a Vorcaro.

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Contrato de R$ 20 milhões

A aproximação entre Vorcaro e Tahan começou em maio de 2024, quando Guilherme Barros, então consultor do banqueiro, apresentou a executiva a ele e a Luiz Estevão, dono do Metrópoles. No mês seguinte, o Master pagou R$ 1 milhão ao portal. Em julho, acertou outros R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira de empresas do grupo, a seguradora Kovr e o banco digital Will.

Em novembro, foi negociado um contrato de publicidade de R$ 20 milhões. “Tá caro esse Metrópoles”, escreveu uma funcionária a Vorcaro. “Coisa mais importante [da] nossa vida é esse Metrópoles”, respondeu ele. Em seguida, confirmou a aprovação do acordo. Em 2025, o valor foi pago em parcelas de R$ 5 milhões, segundo as mensagens.

Pedidos de alteração em reportagens

Em abril de 2025, Vorcaro contestou uma informação sobre uma suposta oferta de compra de ativos do Master por R$ 1. “Proposta de 1 real nunca existiu!”, escreveu. “Tiramos”, respondeu Tahan.

Dias depois, a CEO sugeriu uma reportagem comparando os balanços do Master e do BRB. Vorcaro pediu para conferir os dados antes da publicação, e Tahan concordou. O texto foi publicado no mesmo dia, após a consulta.

Em maio, o banqueiro solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. O pedido foi aceito.

As mensagens também mostram Vorcaro opinando sobre textos relacionados a Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a compra do Master pelo BRB. Em uma entrevista com o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o banqueiro sugeriu reduzir as referências a Gomes e concentrar o texto em Campos Neto. A alteração foi atendida.

Em outra reportagem sobre Gomes, Vorcaro pediu a retirada de um trecho sobre a falência do banco e sugeriu incluir informações sobre uma suposta divisão interna no Banco Central e especulações sobre o futuro profissional do diretor. Segundo as mensagens, as solicitações também foram incorporadas.

Tahan afirmou ao UOL que Gomes se tornou relevante para a cobertura por se posicionar contra a aquisição do Master pelo BRB, assunto de interesse do público do Distrito Federal.

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